Olá amigos!
Como muitos sabem, dia 5 de junho é o Dia do Meio Ambiente, e está acontecendo nesta semana uma movimentação muito interessante, bem pertinho aqui do Muiraquitã. É a Semana do Meio Ambiente na PUC, organizada pelo NIMA, Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente. Dentro dela, acontece uma feirinha de troca-troca que procura incentivar o consumo sustentável. Em vez de jogarmos fora objetos que não usamos mais e comprarmos outros novos, por que não trocarmos? Sempre há algo interessante por lá.
Vamos organizar uma visita das crianças à feirinha. Portanto, quem quiser participar pode se cadastrar na secretaria do Muiraquitã e separar seus objetos para o troca-troca. Devemos ir nesta quinta ou sexta-feira.
O NIMA também está oferecendo, dentro da Semana, mini-cursos e oficinas na área de Meio Ambiente, na faixa de 5 a 25 reais. Quem não puder pagar vá até a secretaria, que nós avaliamos e vemos como o Muiraquitã pode ajudar. São cursos de Jardim Sustentável, Agrofloresta, Botânica Econômica, Plantas Medicinais, Saúde, Sociedade e Ambiente e Educação Ambiental: Teoria e Prática e outros. Os participantes receberão certificado.
Além disso, haverá palestras, encontros, enfim, será uma semana bem movimentada. Até eu vou lá dar uma palhinha no debate sobre eco-vilas e construção sustentável, na sexta-feira às 9h da manhã, no Auditório Padre Anchieta, na PUC. Se houver amigos do Muiraquitã por lá, ficarei feliz.
A programação completa está aqui. (clique para seguir o link)
Para incentivar a entrar no troca-troca:
Você sabe qual é o seu impacto no meio-ambiente? Pelo menos em termos de emisão de CO2, o gás carbônico, na atmosfera, nós podemos ter uma idéia.
Separe sua conta de luz e de gás, o quanto você gasta de gasolina ou de ônibus por mês, e entre no site da “Iniciativa Verde”. Eles oferecem uma calculadora que mostra, a partir desses dados, uma média da quantidade de CO2 que emitimos a partir de nossas ações cotidianas. É mostrada também a quantidade de árvores que seria necessário plantarmos para neutralizar essas emissões.
Mas não é só dessa forma que podemos neutralizar nossas emissões de carbono na atmosfera. Aliás, tem-se dito por aí que o plantio de árvores por pessoas comuns, pequeninas nesse imenso planeta, não impacta muito na absorção de carbono pelas áreas florestadas como um todo.
Certo, mas não é por isso que deixaremos de plantar nossas mudinhas, não é? J
Bem, enquanto lutamos para que grandes empresas se dêem conta do seu impacto por emissões de carbono e tomem providências, podemos come;car a impactar de muitas formas:
- procurando usar mais o transporte público do que carros
- dando carona em vez de andarmos sozinhos, quando andamos de carro
- procurando implantar sistemas de produção de energia mais limpa – solar, por exemplo, para aquecimento domiciliar, de água
- reaproveitando a água da chuva para banheiros e cozinha, como já é feito em muitas eco-vilas e casas sustentáveis pelo país
- levando sacolas de papel ou pano para o mercado em vez de usar as sacolinhas plásticas, que demoram muito tempo para serem rabsorvidas pela natureza
- consumindo mais produtos naturais, ou que possuam embalagens biodegradáveis
- reaproveitando embalagens para confeccionar produtos, como fazemos nas oficinas do Muiraquitã
- separando nosso lixo reciclável do orgânico, para que ele possa ser usado em fábricas, economizando matéria-prima e volume de lixo acumulado em nossos lixões (já imaginaram se vai ter espaço aqui nesse planetinha para tudo que jogamos fora?)
- fazendo mercados de troca-troca, como esse que está acontecendo agora na PUC.
Lanço agora uma proposta mais que decente para vocês: por que não fazer um troca-troca na sua comunidade, na sua escola, no seu prédio, no Muiraquitã? Vai ser maravilhoso. Você economiza dinheiro, recursos naturais, matéria-prima da indústria que fabricaria os produtos que você compraria, e ainda tem a oportunidade de conhecer novas pessoas, trocar idéias junto com os objetos, aumentar a rede, para que fique cada vez mais fácil mudarmos a marcha da destruição do planetinha Terra, nossa casa.
Depois volto a falar em detalhes dos assuntos listados acima.
Espero todos lá na Semana de Meio Ambiente da PUC.
Esperança sem descanso!
Para saber mais:
Neutralização de carbono:
http://polegaropositor.com.br/node/83
http://www.carbononeutro.com.br/02_asolucao/opcoes.htm
Semana do Meio Ambiente na PUC (2008):
http://www.nima.puc-rio.br/informe/eventos/24030801.html
Iniciativa Verde:
http://www.iniciativaverde.org.br/pt/
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Entulho pode sair dos lixões para virar asfalto e casas
Um estudo feito em 2005 pela Fundação João Pinheiro (FJP) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) descobriu que no Brasil faltam 7.902.699 de habitações, sendo 2.285.462 só nas regiões metropolitanas selecionadas na pesquisa. Nas regiões Nordeste e Sudeste estão mais de 70% dessas carências.
Todos os dias vemos novos empreendimentos imobiliários distribuindo panfletos pelos sinais da cidade. É bom saber que novas habitações estão sendo construídas. Mas dificilmente elas serão destinadas a uma população de baixa renda, servindo para elevar ainda mais o padrão de vida de pessoas que já possuem uma moradia razoável.
Essas construções, acima de tudo, geram impactos ambientais, e um dos grandes impactos é a geração de resíduos sólidos, o conhecido entulho. Construção civil e demolições geram 61% do lixo produzido nas cidades brasileiras, segundo dados da Secretaria Nacional de Saneamento do Ministério das Cidades. De acordo com pesquisa dessa secretaria, este percentual corresponde a 90 milhões de toneladas de lixo por ano. A construção civil é responsável por até 50% do uso de recursos naturais em nossa sociedade, dependendo da tecnologia utilizada. Além disso, na construção de um edifício, o transporte e a fabricação dos materiais representam aproximadamente 80% da energia gasta.
Vê-se sempre muito desperdício de material e imensa produção de entulho. Toneladas de restos de tijolos, argamassa e madeira estão a cada dia sendo levados por empresas de caçambas até aterros sanitários ou mesmo terrenos baldios, aumentando os depósitos de lixo na cidade e proporcionando condições para a proliferação de animais transmissores de doenças.
Essa situação começou a melhorar em 2002, quando o CONAMA, Conselho Nacional do Meio Ambiente, emitiu uma resolução determinando que “os geradores deverão ter como objetivo prioritário a não geração de resíduos e, secundariamente, a redução, a reutilização, a reciclagem e a destinação final.” Os geradores, no caso, são as “pessoas, físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, responsáveis por atividades ou empreendimentos que gerem os resíduos”, ou seja, empresas construtoras de um modo geral e seus dirigentes.
A resolução diz também que “os resíduos da construção civil não poderão ser dispostos em aterros de resíduos domiciliares, em áreas de "bota fora", em encostas, corpos d`água, lotes vagos e em áreas protegidas por Lei”, e pede que os municípios se adequem, determinando formas de reutilização e reciclagem desses materiais dentro de um prazo que foi um pouco extrapolado. Deveria ser em 2004, como fez a prefeitura de Belo Horizonte, por exemplo, mas para o Rio de Janeiro, não encontrei até a produção deste artigo informações sobre qualquer programa desenvolvido pela prefeitura da nossa cidade.
Em janeiro de 2008, o governo do Estado do Rio instituiu o Plano Diretor de Gestão de Resíduos Sólidos da área Metropolitana do Estado, que não desenvolve efetivamente o trabalho de gestão dos resíduos, mas só estabelece diretrizes, que deverão ser tomadas pelas prefeituras, coisa que na capital ainda não foi feita.
Belo Horizonte serve como bom exemplo para demonstrar os benefícios desse trabalho, realizado lá desde 1993, antes mesmo da resolução do CONAMA. Eles possuem três usinas de reciclagem de entulho. A última usina construída custou cerca de um milhão de reais, e gera uma economia anual de 1.400.000,00. Ou seja, em um ano de funcionamento, o investimento já foi pago.
Todos os dias vemos novos empreendimentos imobiliários distribuindo panfletos pelos sinais da cidade. É bom saber que novas habitações estão sendo construídas. Mas dificilmente elas serão destinadas a uma população de baixa renda, servindo para elevar ainda mais o padrão de vida de pessoas que já possuem uma moradia razoável.
Essas construções, acima de tudo, geram impactos ambientais, e um dos grandes impactos é a geração de resíduos sólidos, o conhecido entulho. Construção civil e demolições geram 61% do lixo produzido nas cidades brasileiras, segundo dados da Secretaria Nacional de Saneamento do Ministério das Cidades. De acordo com pesquisa dessa secretaria, este percentual corresponde a 90 milhões de toneladas de lixo por ano. A construção civil é responsável por até 50% do uso de recursos naturais em nossa sociedade, dependendo da tecnologia utilizada. Além disso, na construção de um edifício, o transporte e a fabricação dos materiais representam aproximadamente 80% da energia gasta.
Vê-se sempre muito desperdício de material e imensa produção de entulho. Toneladas de restos de tijolos, argamassa e madeira estão a cada dia sendo levados por empresas de caçambas até aterros sanitários ou mesmo terrenos baldios, aumentando os depósitos de lixo na cidade e proporcionando condições para a proliferação de animais transmissores de doenças.
Essa situação começou a melhorar em 2002, quando o CONAMA, Conselho Nacional do Meio Ambiente, emitiu uma resolução determinando que “os geradores deverão ter como objetivo prioritário a não geração de resíduos e, secundariamente, a redução, a reutilização, a reciclagem e a destinação final.” Os geradores, no caso, são as “pessoas, físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, responsáveis por atividades ou empreendimentos que gerem os resíduos”, ou seja, empresas construtoras de um modo geral e seus dirigentes.
A resolução diz também que “os resíduos da construção civil não poderão ser dispostos em aterros de resíduos domiciliares, em áreas de "bota fora", em encostas, corpos d`água, lotes vagos e em áreas protegidas por Lei”, e pede que os municípios se adequem, determinando formas de reutilização e reciclagem desses materiais dentro de um prazo que foi um pouco extrapolado. Deveria ser em 2004, como fez a prefeitura de Belo Horizonte, por exemplo, mas para o Rio de Janeiro, não encontrei até a produção deste artigo informações sobre qualquer programa desenvolvido pela prefeitura da nossa cidade.
Em janeiro de 2008, o governo do Estado do Rio instituiu o Plano Diretor de Gestão de Resíduos Sólidos da área Metropolitana do Estado, que não desenvolve efetivamente o trabalho de gestão dos resíduos, mas só estabelece diretrizes, que deverão ser tomadas pelas prefeituras, coisa que na capital ainda não foi feita.
Belo Horizonte serve como bom exemplo para demonstrar os benefícios desse trabalho, realizado lá desde 1993, antes mesmo da resolução do CONAMA. Eles possuem três usinas de reciclagem de entulho. A última usina construída custou cerca de um milhão de reais, e gera uma economia anual de 1.400.000,00. Ou seja, em um ano de funcionamento, o investimento já foi pago.

Usina de reciclagem de entulho em Belo Horizonte
As usinas constam de máquinas trituradoras, ou britadoras, usadas em mineração. O entulho entra nessas máquinas e sai triturado. Restos de concreto servem para a produção de artefatos, ou seja, novos blocos para construção, meio-fio, pisos, bancos, colunas, entre outros. Restos de tijolos e cerâmica são usados como base e sub-base (aquilo que fica por baixo do asfalto) para pavimentação de ruas e estradas.
O material resultante tem a mesma qualidade e rendimento que o material produzido por fábricas tradicionais. Reaproveitando a matéria-prima, diminuem muito os custos do material. O entulho não é depositado no ambiente, e o trabalho dos transportadores de entulho é mais valorizado, fazendo com que sua imagem frente aos outros cidadãos da cidade melhore muito, como “agentes do ambiente”, pois eles não estão depositando em terrenos baldios, mas levando esse material para um fim muito nobre.
Para se ter idéia do impacto do trabalho realizado em Belo Horizonte, em 11 anos do projeto a quantidade de entulho reciclado seria suficiente para construir 70.000 casas populares, ou 3.300 prédios de 4 andares. Ou ainda conseguir material para fazer a base de 137km de pistas. Nesse tempo, a prefetura economizou 10 milhões de reais, utilizando os materiais reciclados nas obras municipais.
Com isso, vê-se o impacto social que pode ser gerado com um trabalho como esse. Você se lembra da quantidade de moradias que faltam no nosso país? Volte e dê uma olhadinha no início deste artigo. Muita coisa, não é? Além de moradias a baixo custo, a reciclagem fornece matéria-prima para a pavimentação de ruas e estradas que antes eram de barro, melhorando a qualidade de vida de muitas pessoas.
É preciso mudar a mentalidade dos engenheiros e construtores, para terminar com o preconceito com relação aos materiais reciclados. E começar com urgência a ampliar a reciclagem de resíduos da construção civil, para diminuir o impacto negativo no ambiente, e aumentar o impacto positivo na sociedade.
Tita Mendes Ayuri – engenheira e gerente aposentada de projetos de construção civil ambientalmente corretos.
Fontes e onde saber mais:
Decreto n° 41.122 de 09 de janeiro de 2008. (do Estado 10/01/2008)
(Institui o plano diretor de gestão de residuos sólidos da região metropolitana do estado do Rio de Janeiro)
http://www.ademi.webtexto.com.br/IMG/pdf/doc-636.pdf
Déficit habitacional em 2005:
http://www.cidades.gov.br/secretarias-nacionais/secretaria-de-habitacao/biblioteca/publicacoes-e-artigos/deficit-habitacional-no-brasil-2005/Deficit2005.pdf
Resolução do CONAMA Nº 307, DE 5 DE JULHO DE 2002 (Estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil):
http://www.cetesb.sp.gov.br/licenciamentoo/legislacao/federal/resolucoes/2002_Res_CONAMA_307.pdf
http://www.viaseg.com.br/noticia/4019-meio_ambiente__residuos_da_construcao_civil.html
Programa Cidades e Soluções (GloboNews) sobre reciclagem de entulho:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM679147-7823-RECICLAGEM%2BDE%2BENTULHOS,00.html
“Bota Fora - Programa para reciclar entulhos de contrução Civil substitui a areia e a brita em obras de manutenção de Belo Horizonte”
http://www.cidadesdobrasil.com.br/cgi-cn/news.cgi?cl=099105100097100101098114&arecod=19&newcod=24
Reciclagem de entulho na prefeitura de Belo Horizonte:
http://www.pbh.gov.br/bhrecicla/entulho.htm
http://www.cidadesdobrasil.com.br/cgi-cn/news.cgi?cl=099105100097100101098114&arecod=19&newcod=24
http://www.mundosustentavel.com.br/
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